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Cidades Covid19

Prefeitura de Lavras aponta erro do Ministério e nega vacinas trocadas

"Reafirmamos que não houve aplicação de doses de laboratórios diferentes em cidadãos de Lavras", afirmou a gestão municipal.

27/04/2021 05h47
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Por: Primeira Leitura | Redação Fonte: Cristiano Martins | O Tempo
Administração tentou corrigir dados digitados de forma equivocada, mas sistema do Ministério da Saúde impede atualizações (Imagem: Prefeitura de Lavras/ Site oficial)
Administração tentou corrigir dados digitados de forma equivocada, mas sistema do Ministério da Saúde impede atualizações (Imagem: Prefeitura de Lavras/ Site oficial)

A Prefeitura de Lavras, no Sul de Minas, informou ter aberto uma apuração interna para conferir todos os registros da campanha de vacinação contra a Covid-19, com o objetivo de verificar se algum morador recebeu doses de fabricantes diferentes entre a primeira e a segunda aplicação. "Reafirmamos que não houve aplicação de doses de laboratórios diferentes em cidadãos de Lavras", garantiu a gestão municipal.

A investigação foi iniciada logo após O TEMPO ter revelado que até 2,5 mil pessoas podem ter recebido doses de marcas distintas em Minas Gerais, como indicam dados das fichas inseridas no sistema oficial do Ministério da Saúde. Ao lado da capital Belo Horizonte, Lavras era uma das cidades mineiras com mais registros deste tipo: 200 casos em cada uma.

Em nota enviada nesta segunda-feira (26), a administração municipal revelou ter identificado um erro de digitação referente a doses aplicadas em profissionais de saúde ainda no mês de janeiro. Segundo a prefeitura, o Ministério da Saúde foi comunicado na época e informou que não seria possível realizar a correção dos dados no sistema. Desta forma, as fichas corretas foram inseridas novamente pela Secretaria Municipal de Saúde de Lavras, gerando duplicação e mantendo os registros equivocados no sistema. Uma cópia do e-mail com a resposta do Ministério foi enviada à reportagem para comprovar esta informação.

A prefeitura esclareceu também que ainda não iniciou a aplicação da segunda dose para as pessoas que receberam a primeira injeção com o imunizante Covishield, da AstraZeneca/Fiocruz.

De fato, a grande maioria dos registros com indícios de erro no município se refere a trabalhadores da saúde e que receberam a primeira dose da Covishield entre os dias 21 e 22 de janeiro. Há também outros casos de pessoas com mais de um registro para cada dose, sendo uma da marca correta e outra de um fabricante diferente, o que também pode indicar erro de digitação e reenvio da ficha, mas em um período diferente, com as datas de aplicação da primeira dose variando entre 8 de fevereiro e 30 de março.

A reportagem de O TEMPO questionou o Ministério da Saúde sobre a impossibilidade de correção dos registros após erros de digitação no sistema e as implicações desta falha para o controle da campanha e o acompanhamento das pessoas vacinadas, mas ainda não recebeu retorno.

No domingo (25), a prefeita de Lavras, Jussara Menicucci, havia afirmado ser "impossível" cidadãos terem sido vacinados de forma equivocada no município do Sul de Minas. 

"Tudo é feito com muito critério e organização. As vacinas são separadas por fabricante a cada lote, e o registro é feito no momento em que elas são retirada do refrigerador. As aplicações até o momento foram feitas em dias diferentes conforme o fabricante. É impossível ter acontecido esse tipo de troca. Deve ser confusão do Ministério. Posso afirmar com a maior segurança e ponho a mão no fogo pela minha equipe", declarou.

 

Belo Horizonte

Como informado no domingo (25), a Prefeitura de Belo Horizonte também instaurou uma apuração interna para checar se houve erro nos registros ou, de fato, trocas nas aplicações das vacinas.

 

Protocolo falho

Além das incertezas sobre quem de fato tomou as doses invertidas das vacinas, há também uma falta de orientação clara sobre o protocolo a ser seguido nos casos confirmados da aplicação trocada. 

A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) informou que pessoas nesta situação devem repetir a segunda aplicação com a dose correta, desde que num prazo de duas semanas. "Em casos nos quais o indivíduo tenha recebido a primeira dose de vacina de um fabricante e, com menos de 14 dias, venha a receber a segunda dose de outro produtor, a segunda dose deverá ser desconsiderada, e deverá ser reagendada outra aplicação, conforme o intervalo indicado da primeira vacina recebida”, diz o comunicado, sem mais detalhes sobre casos que não se encaixem nesse prazo.

Já a Prefeitura de Belo Horizonte informou que a segunda aplicação não seria indicada pelo Ministério da Saúde. "A Secretaria Municipal de Saúde esclarece que, caso seja constatada a troca do imunizante, a orientação é acompanhar cada caso, não sendo indicada aplicação de outra dose da vacina", diz a PBH.

Em nota à Folha de S.Paulo publicada na semana passada, o Ministério da Saúde havia informado apenas que “cabe aos Estados e Municípios o acompanhamento e monitoramento de possíveis eventos adversos a essas pessoas por, no mínimo, 30 dias”.

 

Leia a nota da Prefeitura de Lavras na íntegra:

Nota de Esclarecimento

A Secretaria Municipal de Saúde de Lavras informa que a notícia divulgada que pessoas do município teriam sido vacinas com doses de diferentes laboratórios é FALSA, pois:

- os dados da 1ª dose das pessoas imunizadas com mais de 70 anos ainda estão sendo lançados no sistema;

- a Campanha referente à 2ª dose está ocorrendo ainda para pessoas dessa faixa etária na cidade;

- não iniciamos, ainda, a Campanha da 2ª dose para os vacinados com a Astrazeneca, que começará apenas no dia 03/05/2021;

Ressaltamos que no início da Campanha de Imunização da Covid-19, em janeiro, houve um erro de digitação referente a doses aplicadas apenas em profissionais de saúde. Procurado o Ministério da Saúde para realizar a correção no sistema, os requerentes receberam a informação de Daniela Sant’Ana de Aquino, da Coordenação Geral do Programa Nacional de Imunizações, que “no momento o sistema ainda não permite alterações/exclusões de dados registrados/digitados errados". Sendo assim, os dados corretos foram lançados no sistema, seguindo orientações da Diretoria Regional de Saúde, de Varginha. Assim, reafirmamos que não houve aplicação de doses de laboratórios diferentes em cidadãos de Lavras.

A vacinação da Covid-19, em Lavras, assim como em todo o país, é feita por profissionais de saúde, em conformidade com o Plano Nacional de Imunização e deliberação 3319, bem como as notas técnicas/orientativas, expedidas pela Secretaria de Estado da Saúde.

Governo de Lavras

Adm 2021 / 2024

 

*Texto adaptado para o Primeira Leitura. | Reprodução O TEMPO.

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