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Pop Art Boa tarde!

Tardes bonitas enfeitiçam pessoas

Urgências e dias bonitos não combinam. O relógio insiste, mas a gente se perde olhando o céu.

08/09/2020 10h35
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Por: Primeira Leitura | Redação Fonte: Cris Mendonça
(Imagem: Pexels)
(Imagem: Pexels)

Lá fora, mora uma tarde bonita! Um céu tão azul que me lembra a cor dos olhos de um bisavô que nem conheci... A vizinhança, neste momento, repousa em silêncio. Inebriada por minha paz particular, olho para as paredes claras do apartamento, me perco no chão cor de madeira, devaneio diante das flores artificiais, pousadas sobre as garrafas vazias de vinho. Talvez seja loucura, mas suspeito que tardes bonitas têm o poder de enfeitiçar as pessoas. Ora! Como explicar que, diante do tempo vagaroso de uma tardinha, não se sinta pressa? Essa palavra incômoda, colada à alma.

Urgências e dias bonitos não combinam. O relógio insiste, mas a gente se perde olhando o céu. Passeia o dedo sobre a alça da xícara, faz rabiscos aleatórios no papel, se deixa balançar na rede da varanda, escuta as miudezas. O cachorro repousa a cabeça sobre as patas, o passarinho parece esquecido no fio, a luz do Sol doura as folhas das árvores, enquanto a gente se perde observando os cachos do próprio cabelo. O tempo, então, se apresenta relativo. Não pela teoria de Einstein, mas pelo ritmo do nosso coração.

Desacelerar, ir devagar e olhar com calma são coisas que a gente aprende a gostar mais com o passar dos anos. Diante da constatação que a vida corre, desejamos caminhar. Ao menor sinal de serenidade, a gente se entrega.

Por isso, não desejo mais multidões ou sons que façam o ouvido zunir depois. Quero, ao meu redor, os poucos e bons amigos, minha família e afeto de quem sabe enxerga o meu valor. Desejo apenas tardes bonitas como a que eu vejo - e sinto - agora! Que se faça um céu azul dentro de mim, que margaridas coloram o meu jardim, com aquela beleza sutil e simplória, e mesmo que, por vezes, dias nublados sejam vistos pela minha janela, que eu não me esqueça: eles passam.

 

*Coluna Crônicas da Cris. Primeira Leitura. | Texto escrito por Cris Mendonça. Todos os direitos reservados.

**O texto é de responsabilidade do autor e não representa a opinião do Primeira Leitura. 

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Sobre CRÔNICAS DA CRIS
O espaço é dedicado a textos autorais de Cris Mendonça. Jornalista mineira que escreve há 14 anos na internet. Seus textos falam sobre afeto, comportamento e Literatura de uma forma gostosa, como quem ganha abraço de vó! Cris é também autora do livro de crônicas "Mineiros não dizem eu te amo". Contato: www.crismendonca.com.br
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