Segunda, 23 de Novembro de 2020
35 99846-1246
Pop Agro Grão Sagrado

Produtores apostam em novas formas de vendas para levar o café direto ao consumidor

Parcerias com supermercados, delivery, internet, feiras, empórios e cafeterias são alternativas para alcançar os clientes.

24/08/2020 08h54 Atualizada há 3 meses
588
Por: Primeira Leitura | Redação Fonte: Jonatam Marinho | Grão Sagrado
As cafeiculturas Leila Lemes e Margarida Camarini no terreiro da fazenda em Cambuquira/ MG — (Imagem: Divulgação/Arquivo pessoal)
As cafeiculturas Leila Lemes e Margarida Camarini no terreiro da fazenda em Cambuquira/ MG — (Imagem: Divulgação/Arquivo pessoal)

Texto adaptado para o Primeira Leitura. | Texto original em o "Grão Sagrado", blog do G1 Sul de Minas. -  Produtores que processam os grãos de café e já oferecem o produto pronto para consumo buscam formas variadas de chegar até os clientes. Além de redes sociais, eles buscam parcerias com supermercados, empórios de produtos naturais, cafeterias e até delivery.

As produtoras Leila do Carmo Lemes e a sócia Margarida Camarini usam de todas essas ferramentas para vender seus cafés nas versões especial e comum em Cambuquira (MG).

“Nosso produto está em supermercados, cafeterias [em cidades] como São Lourenço (MG) e Ouro Branco (MG). Atendemos muitas cozinhas em Belo Horizonte (MG). Também estamos em catálogos online de produtos de órgãos governamentais e nas redes sociais”, contou.

Mas quando o cliente entra em contato, prevalece o delivery.

“As pessoas pedem e a gente entrega ou elas vêm buscar. A pandemia nos trouxe muita gente de fora como São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro”, comentou Leila.

Outro exemplo de pulverização nas vendas vem da cidade de Três Pontas (MG). Os pacotes de café produzidos pela família de Ana Maria Miranda Belineli são comercializados desde 2017. Ela é a responsável pela área de administração e vendas do produto que leva o nome de seu avô.

O café é comercializado pela internet, em cafeterias, padarias, empórios, empresas e instituições que compram diretamente do produtor.

“No início começamos a comercializar em Belo Horizonte (MG) e em Três Pontas. Com o tempo, nós alcançamos outros estados [como] São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e, ocasionalmente, a região nordeste. O público do nosso café é diverso e contamos com consumidores individuais que buscam o café conosco mesmo”, explicou.

Ana Maria Miranda Belineli usa vários canais para vender seu café — Foto: Divulgação/Ricardo Henrique Pessetti

 

 

 

Loja Própria

Outros produtores apostam em ter a própria cafeteria, onde predominam marcas próprias. Nesses locais, os proprietários têm contato direto com seus consumidores. Essa se torna uma oportunidade de conhecer gostos e saber como o mercado vê seus produtos.

Uma dessas empreendedoras é a empresária Paula Dias, que comercializa cafés especiais em Santa Rita do Sapucaí (MG) e Santos (SP). Ela criou uma bicicleta-cafeteria que leva sua marca a vários locais.

“A coffee-bike surgiu da necessidade de chamar atenção pra venda de café no Brasil em 2015. Eu sonhei e um artesão de Cachoeira de Minas (MG) fez pra mim. Queria uma cafeteria tipo aquelas americanas com copo, marca, tudo certinho para visitar eventos e levar meu café. Meu produto é especial e merece uma atenção toda à altura”, relatou.

Paula Dias idealizadora da bike-coffee em sua cafeteria em Santa Rita do Sapucaí (MG) — Foto: Divulgação/Lisley Guimarães

 

 

O sucesso da cafeteria sobre bicicleta veio logo nos primeiros eventos. “Quando essa bike foi no primeiro evento, muitas pessoas vieram falar com a gente. No segundo evento, já fomos tema de reportagem”, relembrou.

Depois do sucesso da “loja móvel”, foi a vez da loja física de Santa Rita do Sapucaí em 2017 e, já no ano seguinte, foi inaugurada uma segunda unidade em Santos (SP). Ainda uma terceira cafeteria foi aberta esse ano na fazenda para complementar o turismo rural na propriedade que fica no bairro Balaio, na zona rural de Santa Rita do Sapucaí.

Para agregar valor e agradar seus clientes, a empresária reuniu outros produtos de pequenos agricultores locais como doces e licores - o que também inclui delícias que têm o café como matéria-prima.

“São 25 famílias que temos como fornecedores. A cafeteria é como um show room do que tem de melhor na região. Começamos a colocar produtos da comunidade como um licor de café feito em Silvianópolis (MG), pão de mel com recheio de doce de leite e café, brigadeiro de café, bolo no pote...”, disse.

A empresária também encontrou outra forma de venda com uma loja online inaugurada em 2016. Além desses canais de venda, na pandemia, Paula conta que encontrou plataformas digitais parceiras, eventos digitais e outros canais de venda de produtos mineiros que vêm direto do produtor.

A bike-coffee da empresária Paula Dias em Santa Rita do Sapucaí (MG) — Foto: Divulgação/Lisley Guimarães

 

 

Outra cafeteria própria é da arquiteta Fernnanda Vieira da Silva Lemos que trabalhava como cenógrafa de televisão na capital paulista. Deixou tudo para morar na cidade de sua família, Carmo do Rio Claro (MG) - que também é a terra natal do marido cafeicultor. Decididos a trabalhar com os grãos especiais que vêm da propriedade nas serras do bairro rural do Mandembo, montou sua própria cafeteria no centro da cidade em maio de 2019.

Seu café também é vendido em lojas online e já foi levado para todo o Brasil e também para Portugal, Canadá e Hungria.

Além de oferecer seu produto de várias formas em sua cafeteria, ela montou um verdadeiro empório de produtos locais como doces, pimentas, quitandas, tortas e salgados. E nas prateleiras opções variadas de café locais ou regionais.

 

Supermercados

Um desses cafés comercializados por Fernnanda é do cafeicultor Cássio Luis da Silva Balbino. Sua propriedade também fica em Carmo do Rio Claro (MG) e está a 1.100 metros acima do nível do mar. Ele produz grãos que comercializa como especial, gourmet e comum (commodities) há oito meses.

“Trabalho mais com redes de supermercado nas cidades de Batatais (SP) e Ribeirão Preto (SP). Antes da pandemia levávamos mais para São Paulo e Belo Horizonte, roteiros que estamos retomando agora”, explicou.

A empresária Fernnanda Vieira da Silva Lemos serve um cafezinho em sua cafeteria — Foto: Divulgação/Jonatam Marinho

 

 

Feiras livres

As feiras livres são locais que atraem consumidores e permitem também ter um contato direto com o produtor rural. Basta dar uma volta e perceber como o café está presente nas barracas, feiras e mercados públicos.

Um exemplo que confirma a presença deste grão sagrado nas feiras é do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Minas Gerais (Senar Minas). Segundo a Analista de Promoção Social da entidade, Michelle Camila de Paula, o “Empório Senar” esteve presente em 22 eventos com 37% de presença de produtores de café comercializando e divulgando seus produtos.

Este empório é uma loja que vende gratuitamente produtos de pequenos produtores pelos eventos que passa.

Nenhum comentário
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Ele1 - Criar site de notícias