Segunda, 23 de Novembro de 2020
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Cidades Greve dos Correios

Trabalhadores manifestam sobre fim de benefícios dos Correios

Desde às 7h da manhã desta quarta-feira, trabalhadores da agência dos Correios, de Campo Belo e região, fizeram uma manifestação em frente o local de trabalho, para pedir a volta dos benefícios tirados pela empresa, passando a não obedecer a Consolidação das Leis de Trabalho (CLT).

19/08/2020 12h35 Atualizada há 3 meses
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Por: Primeira Leitura | Redação Fonte: Athos Oliveira
(Imagem: Agência Brasil/ Fernando Frasão/ Reprodução)
(Imagem: Agência Brasil/ Fernando Frasão/ Reprodução)

O grupo conta com todos os trabalhadores de Campo Belo, juntamente a outras cidades vizinhas, tais como Aguanil, Cana Verde, Candeias, Cristais e Santana do Jacaré. De acordo com os manifestantes, 71 das 76 cláusulas de benefícios que a empresa prometia foram retiradas. Hoje ainda haverá uma passeata dos trabalhadores pelas ruas da cidade. 

Em 2019, o Tribunal Superior do Trabalho (TST),  definiu uma validade do acordo de Trabalho, até 31 de julho de 2021, mas o ECT recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) e obteve liminar de Dias Toffoli, presidente da Corte, para a redução pela metade do prazo do acordo feito em coletividade. 

Vale destacar que a empresa já teve que demitir funcionários em função deste tempo de pandemia e muitas entregas estavam chegando em atraso devido ao grande aumento do trabalho neste período. Mediante a este problema e também direitos retirados pela empresa, houve um esclarecimento para a população do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de Minas Gerais. Veja abaixo:

Manifestantes próximos a Agência dos Correios em Campo Belo.
(Imagem: Athos Oliveira)

Esclarecimento à População 

Você sabe por que os funcionários dos Correios estão de greve? Então vamos entender o que está acontecendo: A direção da empresa quer, em meio à pandemia, negociar um novo acordo coletivo, porém de forma unilateral, ou seja, quer impor sua proposta, que se trata de extinguir quase todas as cláusulas do último acordo coletivo, prejudicando severamente os trabalhadores. Diferente de algumas fakenews espalhadas por aí de forma irresponsável, a empresa não quer "cortar mordomias" dos funcionários, são direitos e benefícios adquiridos através de muitos anos de luta e negociações nos acordos coletivos, que serviram para compensar, pelo menos em parte, o não aumento de salários e a reconhecida baixa remuneração paga a esses profissionais. 

Dentre todas as estatais brasileiras, os funcionários dos Correios são os que tem os salários mais baixos, e estão sempre presentes, faça sol ou faça chuva, entregando suas cartas e encomendas, te atendendo nas agências com um sorriso no rosto, mesmo com um sentimento interno de tristeza e frustração, devido à falta de reconhecimento da direção dos Correios.

Nesse momento tão complicado que o mundo inteiro passa, os Correios são considerados atividade essencial, ou seja, os funcionários estão trabalhando normalmente, muitos deles ficaram ou estão doentes, vários faleceram vítimas do COVID-19, mas o serviço continua sendo prestado, mesmo diante de tantas adversidades.

Você sabe por que as correspondências e encomendas muitas vezes chegam com atraso? Porque já há vários anos a empresa promove planos de demissão voluntária para diminuir o quadro de funcionários, com a justificativa de redução de despesas, entretanto a mesma não repõe esse quadro com novos funcionários, isso sem falar em milhares de funcionários afastados por motivo de saúde, boa parte deles por doenças do trabalho. 

É inegável que, com a tecnologia cada vez mais avançada, o serviço de correspondências diminua, e isso acontece nos tempos atuais, mas em contrapartida, o e-commerce aumenta a cada ano, e o principal parceiro logístico desse mercado são os Correios, principalmente dos pequenos empresários, praticando preços acessíveis e atingindo todo o território nacional. 

Aí fica a pergunta: como é possível fazer um serviço que era feito por uma quantidade de trabalhadores com um efetivo 15, 20% menor? E a resposta é simples: com investimento, principalmente em mão de obra, através de concurso público. Se a empresa contrata, volta a fazer um serviço de qualidade, atrai cada vez mais clientes, apresenta cada vez mais bons resultados, pode praticar preços cada vez mais competitivos e acessíveis e todos ganham, desde o vendedor até o comprador, e a economia do país como um todo. Mas isso não é feito pela direção da empresa.

E aí vem a segunda pergunta: se privatizar a empresa resolve o problema? E a resposta é: óbvio que não. As empresas que tem interesse em comprar os Correios são gigantes multinacionais que visam exclusivamente o lucro. É uma ilusão acreditar que a venda da empresa fará retornar a qualidade que a levou a ser referência internacional e os preços de frete ficarão mais baratos. O interesse dessas grandes empresas está nos grandes centros, as pequenas cidades, onde se encontra grande parte da população brasileira não terá um atendimento adequado, ou sequer terá algum tipo de atendimento, já que as agências dessas localidades não geram lucro. O papel social da empresa de interligar o país e levar os serviços postais a todos os municípios brasileiros deixará de existir, o governo não terá mais essa obrigação. Resumindo de forma bem simples, se você não mora em cidades de médio ou grande porte, corre o risco de ter que se deslocar até uma dessas para enviar suas correspondências, documentos e encomendas, ou até mesmo para recebê-los.

Os Correios prestam serviços importantíssimos para o país, mas que grande parte da população não tem conhecimento: através de parcerias com os ministérios e secretarias de saúde, transporta e entrega remédios e vacinas nos quatro cantos do país, nos locais mais remotos, muitas vezes até de barco. A empresa realiza a entrega de livros didáticos para toda a rede de escolas públicas, uma operação logística que é referência mundial. Apesar do avanço da tecnologia, através do serviço de carta interliga a população carcerária aos seus  familiares. Realiza campanhas nacionais de arrecadação de agasalhos, alimentos, entre outros, ações essas que fazem a diferença na vida de pessoas carentes.

É importante que você, cidadão brasileiro, conheça a verdade por trás dos fatos. São dezenas de milhares de trabalhadores neste momento lutando para não perder seus direitos, trabalhadores estes que merecem todo o seu respeito e apoio.

A Redação do Primeira Leitura segue acompanhando as manifestações.

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