Segunda, 23 de Novembro de 2020
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Educação Educação na Pandemia

Ensino a distância dá importante solução emergencial, mas resposta à altura exige plano para voltar as aulas

Nota técnica do Todos Pela Educação traz panorama de dados e evidências científicas mais recentes sobre ensino a distância e dos desafios desse período.

17/08/2020 09h18 Atualizada há 3 meses
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Por: Primeira Leitura | Redação Fonte: Todos Pela Educação
(Imagem: Pixabay)
(Imagem: Pixabay)

Texto adaptado para o Primeira Leitura. | Texto original pelo Todos Pela Educação. - Em todo o mundo, 9 em cada 10 estudantes estão temporariamente fora da escola em resposta à pandemia do novo coronavírus, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU). No Brasil, muitas redes de ensino já suspenderam as aulas e estão lançando mão de soluções de recursos digitais de aprendizagem, inspiradas na modalidade Educação a Distância (EaD). Mas estratégias de ensino remoto, por mais importantes que sejam no atual contexto, têm limitações e não atendem a todas as crianças e jovens brasileiros da mesma maneira, como aponta a nota técnica “Ensino a distância na Educação Básica frente à pandemia da Covid-19”, do Todos Pela Educação, divulgada no dia 7 de abril.

O documento ressalta ainda que as redes de ensino precisam, desde já, formular planos para a volta às aulas que contemplem tanto estratégias para combater a desigualdade educacional - que pode se aprofundar nesse período sem aulas presenciais -  quanto novas e excepcionais demandas que surgirão, tais quais o acolhimento emocional dos alunos e profissionais da Educação, além de um acompanhamento mais próximo dos estudantes com maior propensão ao abandono ou evasão. O Todos também lançou uma nota técnica sobre os desafios para a retomada das aulas no contexto da pandemia do novo coronavírus, em que mostra alguns aprendizados de países que passaram por suspensão prolongada das aulas.

O objetivo da nota técnica de ensino remoto, que traz uma análise baseada nos dados mais recentes, nas evidências e na literatura científicas sobre a EaD, ensino remoto e o acesso à tecnologia no Brasil, é subsidiar o debate público sem, contudo, esgotar as discussões, uma vez que o cenário está em constante mudança.

 

Orientações do CNE

No dia 28 de abril, o Conselho Nacional de Educação (CNE) enviou ao Ministério da Educação (MEC) uma resolução com diretrizes referentes ao período de suspensão do ensino presencial e à volta às aulas no contexto da pandemia. Abordando temas como os apontados nas notas técnicas do Todos Pela Educação, o documento criado pelo CNE fala de diversidade de atividades no ensino remoto, ações de acolhimento e avaliações diagnósticas no retorno às aulas presenciais. O texto foi aprovado pelo MEC no dia 1º de junho com a suspensão do trecho que se refere às avaliações, que deve ser reexaminado pelo conselho.

O documento destaca e aprofunda quatro mensagens:

  • Diante do atual momento, soluções de ensino a distância  podem contribuir e devem ser implementadas. Mas, considerando seu efeito limitado, é preciso cuidadosa normatização e, desde já, atenção ao planejamento de volta às aulas.

As estratégias de ensino a distância são importantes para a redução dos efeitos negativos do distanciamento temporário, mas as evidências indicam que lacunas de diversas naturezas serão criadas sem a interação presencial. Diante disso, as especificações sobre a equivalência das horas aplicadas nessa modalidade de ensino como cumprimento do ano letivo exigem atenção dos órgãos reguladores. Além disso, é fundamental que, desde já, as redes de ensino comecem a planejar um conjunto robusto de ações para o período de volta às aulas.

  • Uma estratégia consistente para o ensino a distância é aquela que busca mitigar as condições heterogêneas de acesso e os diferentes efeitos de soluções a distância  em função do desempenho prévio dos estudantes.

Para evitar a ampliação de desigualdades ao lançar mão de estratégias de ensino remoto, é fundamental entender que a disposição de recursos tecnológicos é diferente entre os distintos perfis socioeconômicos dos alunos e que aqueles que já têm desempenho acadêmico melhor tendem a se beneficiar mais das soluções tecnológicas. 

  • 3- Ensino a distância não é sinônimo de aula online. Há diferentes maneiras de estimular a aprendizagem de maneira remota e, se bem estruturadas, as atividades educacionais podem cumprir mais do que uma função puramente acadêmica.

As plataformas de aulas online - com vídeos, apresentações e materiais de leitura - não devem ser vistas como o único meio de ofertar ensino remoto. É possível e fundamental diversificar as experiências de aprendizagem dos estudantes. A diversidade de suportes e métodos pode apoiar a criação de uma rotina positiva para as crianças e os  jovens, garantindo alguma estabilidade frente ao cenário de tantas mudanças. Da mesma forma, o envolvimento da família também é relevante neste período de aprendizagem a distância - importante aliado durante a crise e pode deixar um legado no pós-pandemia.

  • Mesmo a distância, atuação dos professores é central.

Quando o assunto é ensino a distância, as pesquisas apontam que o trabalho dos professores tem papel significativo para assegurar uma boa experiência, independentemente da solução utilizada. Por isso, diante do cenário atual, em que são igualmente impactados pela pandemia, apoiá-los, pessoal e profissionalmente, é medida absolutamente essencial. 

BAIXE AQUI A NOTA TÉCNICA  SOBRE O ENSINO REMOTO COMPLETA 

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