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‘Cigarras zumbis’: fungo controla mente de insetos e os obriga a infectar outros

Como se o mundo de hoje não fosse estranho o suficiente, pesquisadores descobriram uma nova população de cigarras que estão sendo brutalmente infectadas por um fungo parasita que controla suas mentes e as obriga a infectar outros insetos.

04/08/2020 09h00
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Por: Primeira Leitura | Redação Fonte: Alaa Elassar, da CNN
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As "cigarras zumbis” ficam sob a influência do Massospora, um fungo psicodélico que contém propriedades químicas como as que são encontradas em cogumelos alucinógenos (Imagem: Angie Macias / Universidade da Virgínia Ocidental/ Reprodução CNN)

Texto adaptado para o Primeira Leitura. | Texto original por CNN. -  Esses animais, apelidados de “cigarras zumbis”, ficam sob a influência do Massospora, um fungo psicodélico que contém propriedades químicas como as que são encontradas em cogumelos alucinógenos, segundo um novo estudo publicado pela revista acadêmica PLOS Pathogens. 

Após infectar seu hospedeiro, o fungo resulta em “uma exibição perturbadora de proporções de um filme de terror”, descreveu a Universidade da Virgínia Ocidental em um comunicado à imprensa.

Primeiro, os esporos (unidades de reprodução) do Massospora “comem” os genitais e o abdômen da cigarra. Eles então são substituídos por outros esporos usados para transmitir esses fungos a outras cigarras. Em seguida, o fungo inicial vai lentamente “desaparecendo”, de acordo com o coautor do estudo Brian Lovett.

As cigarras infectadas, encontradas em junho na Virgínia Ocidental por pesquisadores de universidades, compõem a terceira população desses insetos infectada pelo Massospora, explicou o também coautor do estudo Matthew Kasson.

Como as cigarras têm um ciclo de vida de 13 a 17 anos e vivem debaixo do solo até emergirem mais de uma década depois, o estudo de como o Massospora infecta essas espécies pode ser muito difícil.

 

Como o fungo manipula a cigarra

Enquanto mais de um terço, se não mais, de seus corpos são substituídos por tecido fúngico, as cigarras infectadas continuam se movendo alheias à sua doença. Isso porque o fungo manipula o comportamento dos insetos para manter o hospedeiro vivo em vez de matá-lo para maximizar a dispersão dos esporos.

“Se um dos nossos membros fosse retirado ou se nosso estômago fosse cortado, provavelmente ficaríamos incapacitados”, disse Kasson à CNN. “Mas as cigarras infectadas, apesar do fato de que um terço do corpo delas cai, continuam com suas atividades, como acasalar e voar, como se nada tivesse acontecido. Isso é muito, muito incomum para fungos que matam insetos.”

A pesquisa destaca algumas descobertas recentes, incluindo como a infecção leva a um comportamento hipersexual. Embora as cigarras infectadas percam sua habilidade de acasalamento quando sua parte de trás se transforma em um meio para passar os fungos, elas continuam tentando acasalar para transmiti-los sexualmente a cigarras saudáveis.

O fungo parasitário chega a manipular as cigarras macho para baterem as asas de forma a imitar o movimento convidativo das fêmeas para acasalar, para que eles possam também infectar outros machos e rapidamente transmitir a doença.

Enquanto pesquisadores acreditam que a transmissão sexual dos fungos é a forma mais fácil de o Massospora se disseminar, as cigarras também podem entrar em contato com o patógeno de outras maneiras.

“Quando voam ou caminham nos galhos, elas também espalham esporos”, afirmou Kasson. “Nós as chamamos de saleiros da morte voadores, porque basicamente espalham o fungo como sal saindo de um saleiro.”

Embora um exército de cigarras zumbis pareça aterrorizante, Kasson ressalta que as cigarras infectadas não são um perigo para os seres humanos. Neste momento, os pesquisadores acreditam que o fungo não apresenta um risco sério para a população de cigarras em geral.

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