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Curiosidade: Já existe teste rápido para Alzheimer?

A resposta é: Sim! Só que ainda não está em fase de comercialização.

25/06/2020 16h20 Atualizada há 5 meses
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Por: Primeira Leitura | Redação Fonte: Carol Martuscelli
(Imagem: iStock/ Notícias Ao Minuto/ Reprodução)
(Imagem: iStock/ Notícias Ao Minuto/ Reprodução)

A pesquisadora brasileira, Laís Canniatti Brazaca, desenvolveu em seus estudos de Doutorado, no Instituto de Física da USP (IFSC), sob a orientação do Prof. Dr. Valtencir Zucolotto e com um período de estudos na Universidade da Califórnia, um biossensor que poderá facilitar o diagnóstico de Alzheimer. O estudo foi publicado em dois artigos científicos: Applications of biosensors in Alzheimer's disease diagnosis, em abril de 2020 na revista científica Talanta e Colorimetric Paper-Based Immunosensor for Simultaneous Determination of Fetuin B and Clusterin toward Early Alzheimer’s Diagnosis na revista científica ACS Nano, em outubro de 2019. 

O biossensor é um dispositivo baseado em papel no qual se encontram nanopartículas de ouro complexadas a anticorpos seletivos que detectam o aumento de dois biomarcadores relacionados à doença, duas proteínas no sangue a Fetuína-B e Clusterina. O teste realizado segue a técnica flow, a mesma utilizada em testes rápidos já conhecidos como os de gravidez, HIV e mesmo os novos testes rápidos de covid-19. 

A  ideia principal é que, ao depositar uma simples gota de fluído (sangue) no papel, em poucos segundos o bio-fluído escorre em direção a anticorpos, permitindo que as proteínas Fetuína-B e Clusterina se liguem a nanopartículas de ouro e se concentrem em uma determinada região, uma ação que causa uma mudança de cor no papel de branco para rosa. O dispositivo, porém, ainda não foi testado com sangue, tendo sido somente avaliado em amostras ideais, contendo diferentes concentrações das proteínas estudadas e, assim, gerando uma escala colorimétrica a ser aplicada. 

Dispositivo usado para o teste rápido de Alzheimer.
Fonte: L.C. Brazaca,et.al., 2019. 

O dispositivo tem potencial do diagnóstico precoce, uma vez que, estudos recentes mostram que a proteína Fetuína-B tem seus índices alterados já no inicio dos sintomas e mesmo em períodos pré-sintomáticos e a Clusterina apresenta alteração já em fases mais avançadas da doença. No entanto, estes estudos ainda não determinam alteração exata das mesmas nas diferentes fases da doença.

Além do dispositivo, o estudo ainda desenvolveu um software que poderia ser utilizado com uma simples câmera fotográfica, ou com a câmera de um celular, para aferir o resultado desse teste rápido. De acordo com a pesquisadora o equipamento em laboratório teve custo de R$50 por dispositivo, mas que com a produção em maior escala a previsão de custos é em torno de R$10. 

Atualmente o diagnóstico da doença de Alzheimer ou de qualquer outra causa de demência, ocorrem através da exclusão de outros males que apresentam sintomas semelhantes. Com análise clínica dos pacientes, uso das técnicas de análise de memória, capacidade de raciocínio lógico e ainda o uso de neuroimagens ou avaliação de biomarcadores presentes no líquido cefalorraquidiano (LCR), estes métodos possuem grande precisão no diagnóstico, mas não são acessíveis para grande parcela da população, principalmente por apresentarem custo elevado. 

Por conseguinte, o desenvolvimento do trabalho da Dra. Laís Canniatti Brazaca traz novas expectativas e perspectivas de diagnóstico precoce, forma de acompanhamento de pacientes já diagnosticados e ainda possibilidade maior acesso à meios de diagnósticos desta doença que afeta 1 em cada 14 adultos acima de 65 anos e 1 em cada 4 idosos acima de 85 anos. No Brasil, mais de 1,2 milhões de pessoas têm a doença de Alzheimer e esta se encontra entre as 20 principais causas de morte no país. 

O que é a doença de Alzheimer?

Primeiramente descrita pelo neurologista alemão Alois Alzheimer, a doença é caracterizada por um progressivo e irreversível declínio em certas funções intelectuais. Estas incluem: memória, orientação no tempo e no espaço, pensamento abstrato, aprendizado, incapacidade de realizar cálculos simples, distúrbios da linguagem, da comunicação e na capacidade de realizar as tarefas cotidianas. Outros sintomas incluem mudança da personalidade e na capacidade de julgamento. 

Infelizmente ainda não há cura para a doença, mas com diagnóstico precoce e tratamento os sintomas podem ser controlados. Esperamos que este dispositivo possa em breve ser comercializado e assim proporcionar o aumento do número de diagnósticos precoces e, com sua devida precisão, levar a uma maior sobrevida do paciente, bem como uma melhor compreensão do mecanismo da doença, assim, levando a possíveis novos tratamentos.

A tese da doutora Laís Canniatti Brazaca encontra-se disponível no banco de Teses da Universidade de São Paulo (USP) e pode ser acessada aqui. Em seu doutorado, além deste dispositivo, a pesquisadora desenvolveu ainda biossensores para a quantificação rápida de melatonina e para a determinação simples do traço genético de anemia falciforme.

 

Fontes: 

L.C. Brazaca, J. R. Moreto, A. M., F. Tehrani, J. Wang, V. Zucolotto. Colorimetric Paper-Based Immunosensor for Simultaneous Determination of Fetuin B and Clusterin toward Early Alzheimer’s Diagnosis , ACS Nano 2019 13 (11), 13325-13332, DOI: 10.1021/acsnano.9b06571.

L.C. Brazaca, I. Sampaio, V. Zucolotto, B.C. Janegitz Applications of biosensors in Alzheimer's disease diagnosis, Talanta, 2101 (2020), p. 120644, DOI: https://doi.org/10.1016/j.talanta.2019.120644.

 

*Coluna Ciência E Tecnologia. Primeira Leitura. | Texto escrito por Carol Martuscelli. Todos os direitos reservados.

**O texto é de responsabilidade do autor e não representa a opinião do Primeira Leitura. 

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A Coluna destaca uma posição significativa da ciência e da tecnologia no cenário brasileiro e internacional. Carolina Martuscelli é Engenheira Industrial Mecânica e Mestre em Engenharia Mecânica pela UFSJ, Doutoranda em Engenharia Civil (Ecomateriais) na Universidade do Minho, Portugal; além de Professora Assistente na UFVJM (Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri).
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