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Stella, uma balada inabalável

Canções para uma vida, parte um.

12/06/2020 20h40 Atualizada há 9 meses
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Por: Primeira Leitura | Redação Fonte: Thalles Rezende
Stella, mero devaneio (Imagem: Pixabay)
Stella, mero devaneio (Imagem: Pixabay)

Para Machado de Assis, em Contos Fluminenses (1870), foi conveniente apresentar Miss Dollar, romance que o leitor clássico conheceu. Mas por outro lado, hoje, em meu romance, descarto qualquer possibilidade de apresentar minha paixão, afinal todas a conhecem e ficam loucos com a gringa. Tá, sei que ficou curioso e curioso você não pode ficar; Stella com dois L’s é o nome dela. Não conhece, né? Mas se eu revelar o sobrenome, tenho quase certeza que já passou por sua mão.

Se você, leitor, estiver assim como, um tanto quanto melancólico, imagine que Stella é uma belga esperta, pálida e rodada, escassa para alguns. De sangue claro, olhos verdes, cabelos amarelos – queimados do sol. Stella, em questão, de poucas palavras... mas que se comparada as obras de Shakespeare, não deixa nada a desejar. Sim, desejo muito. É uma paixão insana!

Por vezes, Stella é contraste de fé; é uma balada de swing inabalável, como cantada por Skank, eu preciso. Essa tal belga deve ter o poeta Neruda como inspiração de vida. Stella é uma leitura dos cem sonetos de amor, sem dúvidas e, o chá, leite e quitandas com toda certeza não fazem parte de sua dieta. Malte, cevada e até tequila combinam mais. Esta criatura, adicionando-lhe alguns confeitos para acudir minhas (nossas) necessidades, pode ainda nos oferecer murmúrios de violino e arpas. O seu amor é uma síncope para os fracos, a sua vida uma contemplação, a sua morte, o fim de uma era.

A figura é poética, mas às vezes não é a super-heroína da relação. Suponhamos então que você, caro leitor, já tenha tido alguma experiência com essa menina, menina como modo de descrever. Há de afirmar juntamente comigo que na mocidade é auge, na velhice quase sem recurso. Para nós, Stella verdadeiramente merece algumas páginas de nossos corações. Dólares, libras, euros e até reais... não é tão raro assim conseguir o coração da moça, mas ainda escasso para alguns, reafirmo, porque meu desejo é que todos (que gostam) tenham a mesma experiência que tive e continuo tendo.  

Quando procurava assunto para escrever um romance, pensei em muitas questões distintas: índios, ex-mulher, ex-ex-mulher, amigos, crushs em potencial... filhas... Mas veio Stella, me chamou e chegou com aquele olhar simulado e ora oblíquo. Sem chances! Já era. Deveria escrever verdadeiramente sobre Stella. E essa tal, seria incompleta se não tivesse a mim, a nós. Como ela, queríamos olhos verdes e belos cachos amarelados. Apesar do que, a figura ser tudo isso que escrevo, também não quer dizer que ela é mais importante do que tudo que me passou em devaneio.

Mas você leitor, que se considera mais esperto que outros, dirá que Stella não é gringa, que é uma “paraguaia brasileira”, mais brasileira que eu e você juntos. Para esses, preciso dizer que Stella foi uma vilã e não a mocinha, cuja fonte já me revelada. Mas preciso dizer: Stella não é das nossas, é rapariga rica – meramente rapariga ou simplesmente rica. Mas dá moral pra quem banca. Gringa ou não, sou louco por ela. Mas é gringa, é belga! A descoberta seria excelente, se fosse exata. E é!

A Stella do meu romance só é romântica de acordo com o meu estado de espírito, se encaixa perfeitamente em meus sentimentos momentâneos. Já vivi momentos lindos. Já vivi momentos ruins, de enjoar o estômago. Mas Stella já viveu seu auge antes desta descrição, ou ainda vive. Não consigo afirmar, não entrei para a família. Mas sei que a loura é cheia dos encantos.

Para alguns apreciadores da boa leitura manicomial a qualidade de minha heroína fará perder o interesse da paixão que descrevo. Error!... Stella, desencaminhou, na noite de hoje, em plena live de pandemia. Assumo meus versos, de respostas a tantas questões e escolhas... sem mais, fico aonde estou e prefiro continuar (nada) distante. Fica para traz o que nos juntou, o que importa é o momento, são os momentos que passamos, que passaremos juntos. Minha recompensa? Paz e tranquilidade nos meus versos.

Todos os amigos que sentem necessidade urgente de gozo, felicidade e alguns reais, e tiveram a felicidade de ler este descrito, andarão de agora em diante com extremo cuidado pelas ruas na companhia de Stella; não querem ser fugitivos como eu nessa história, nesse momento. Mulher que aparece ao longe, chega junto, traz pra casa e... nada mais que mereça ser escrito! Nesta caçada posso ser tanto caça, quanto caçador. Prefiro ser caçador, mas acho que estou sendo perseguido, acho que sou o animal perseguido da vez. Stella... toda essa caçada é inútil, amanhã logo cedo volta tudo como é e como há de ser. Minha Miss Dollar nessa história só está aboletada na casa do desconhecido conhecido morador do Ana Alves que faz coleção de sonhos.

Stella é verdadeiramente o nome dela. Para os íntimos, Stellinha. Para os conservadores, o sobrenome é parte. Apresento agora, no final, propositalmente, ela, o cosmo da noite, Stella... a minha, a sua, a nossa, a deles, a delas, a minha (repito pela paixão insana), Stella Artois.

 

*Editoria Nossos Versos. Primeira Leitura | Texto escrito por Thalles Rezende. Todos os direitos reservados.

**O texto é de responsabilidade do autor e não representa a opinião do Primeira Leitura. 

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